quarta-feira, 7 de julho de 2010

A colher e a xícara

Ok, já que meu nome anda sendo citado por aí… Vou contar a história como realmente aconteceu.
Quem me conhece hoje em dia, tem dificuldades de imaginar, mas eu já tive experiências bem sucedidas na cozinha. Sim, e meus preferidos eram os doces. Claro, algumas vezes fazia aquelas receitas “quebra-galho” que impressionam e não dão o menor trabalho. Sabe aquela torta de limão de bolacha maisena? Um clássico… Mas um dia me cansei e achei que estivesse na hora de fazer uma torta, digamos assim, de verdade.
Não tive dúvidas e liguei para quem eu pensei que pudesse me ajudar:

- Luci? Tudo bem? To pensando em fazer uma torta de limão, mas queria fazer com massa de verdade? Tem alguma receita?
- Claro! Anota aí.
- Espere um pouco que eu vou pegar o papel.

  Prestem atenção na última linha: “Espere um pouco que eu vou pegar o papel.” Sim, porque apesar das minhas receitas darem certo, eu ainda estou na fase faço-tudo-como-está-escrito. E lá fomos nós.

- Uma xícara de açúcar.
- Uma xícara de açúcar.
- Duas xícaras de farinha de trigo.
- Duas xícaras de farinha de trigo.
- Uma gema de ovo.
- Uma gema de ovo.
- Duas colheres de sopa de margarina.
- Duas colheres de sopa de margarina
- Daí você mistura tudo e põe no forno para assar, por uns 15 minutos.
- Certo.

Fiz tudo como tinham me ensinado, açúcar, farinha, ovo e margarina. E depois dos 15 minutos, eis a minha surpresa:  o que era para ser uma massa se transformou em um bolo intragável. Eu, inconformada, liguei imediatamente:
- LUCIANA, minha torta deu errado!
- Mas você fez direitinho, como estava na receita? Essa massa não tem erro!
- Fiz, olha lá: uma xícara de açúcar.
- Certo.
- Uma xícara de farinha.
- Colher de sopa.
- Como?
- Colher de sopa.
- Não, não pode ser. Você tinha dito xícara de farinha.
- Ops…

Pois é, e assim eu voltei para a massa de bolacha de maisena, que não tem erro mesmo. Por que discutir com os clássicos?.
Mas pelo menos ganhei uma boa história para contar para os meus alunos quando vou ensinar a importância das unidades de medida.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Das tristes heranças

Quando era criança, sempre que chegava a casa da minha avó, ouvia, baixinho o rádio dizer: oi gente. A Vera, que trabalhava lá, passava o dia ouvindo Eli Correa. Devo confessar que eu até gostava daquela voz. Achava um pouco divertido ouvir o programa comendo bolo de cenoura na mesa da cozinha.

Quando a minha avó morreu, o Eli Correa continuou nas minhas tardes: assim que eu chegava da escola, passava o dia com o meu avô. Mas o meu avô também morreu. E a Vera veio trabalhar em casa. E então, a voz que antes era tão agradável começou a me incomodar: tinha alguma coisa errado e ela não deveria estar ali. Mas os dias foram passando, a tristeza e a saudade foram atropeladas pelo cotidiano e eu acostumei. Acordava todos os dias e não me incomodava mais. Não me divertia quando com os bolos de cenoura, mas a rádio Capital deixou de ser minha inimiga.

Hoje, quando eu acordei, aquela voz estava lá, inconfundível. Mas, me desculpe Eli Correa, desta vez eu não vou acostumar.

domingo, 18 de outubro de 2009

Ontem eu ia ao cinema...

Mas antes passei com a minha mãe em uma loja de aquários. Íamos comprar água salgada, mas acabamos com alguns pagurinhos...


E ao chegar em casa, ficamos duas horas olhando os bichinhos andarem pelo aquário, e lá se foi o filme...


Sim, um ano depois... Meu aquário está de volta. Ganhei de presente da minha irmã.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Alo, além.

O mês de julho foi bastante conturbado. E sim, eram as minhas férias. Todas as preocupações paralelas culminaram em um mês repleto de pesadelos.

Mas teve um especial. Sonhei que estava sendo assaltada e uma moça parava para me ajudar. Mas o pânico era tanto que minhas pernas paralizaram e eu não conseguia sair do lugar. Foi h-o-r-r-í-v-e-l. Acordei na hora. Completamente apavorada. E foi então que o pesadelo de fato começou.

Fiquei com medo de dormir de novo e o sonho continuar. Isso sempre acontece comigo: me "salvo" de um pesadelo e quando pego no sono de novo o horror retorna. Pensei em assitir TV. Mas a violência é um tema tão recorrente na programação, que aquela não parecia uma boa ideia. Mas eu estava certa de que a única coisa que não poderia era ficar acordada: estava me enlouquecendo com a situação. E ainda teria um longo dia pela frente, que não combinaria com uma noite de insônia.

E nesse instante, meu celular tocou. Era uma mensagem. Assustei um pouco, mais um pouco. Quem poderia ser ligando aquela hora da madrugada?

"Tá sobrando vaga no manicômio feminino".

Foi a primeira vez que eu recebi uma mensagem do meu inconsciente.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Hermética

Caí. E fiquei estatelada no chão. Ao me levantar, sozinha, alguém perguntou:

- Se machucou?
- Não... – respondi – só a auto-estima.

E ninguém entendeu minha piada...

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Dos oito aos oitenta

Semana passada eu precisei dos meus diplomas. Sim, no plural, eram os diplomas desde o 1o grau. E faz tempo que eu terminei a 8a série. Naquela época ela ainda se chamava 8a série e o 1o grau, 1o grau... Impossível achar essas coisas na minha casa. Fiz um telefonema, mais irritada do que esperançosa:

- Mãe, preciso do meu diploma da 8a série - falei como quem diz um absurdo, esperando que ela me apoiasse e dissesse: "mas por que raios precisam do seu diploma da 8a série?". Enganei-me.
- Claro! Pode vir buscá-lo. Está aqui junto com os outros. - Outros?!

Pois é, outro dia me disseram "mãe é mãe" e a minha não foge à regra: tinha uma pasta com todos os meus "diplomas", que incluia atestato de batismo (!), certificados e todos os meus boletins da época da escola!! Só mesmo a minha mãe para guardar essas coisas. E eu ainda nem mencionei as constrangedoras fotos-anuais-deuniforme. Porque o que me interessou foram os boletins.

Estudei em uma escola em que, além da avaliação da professora, todos os bimestres fazíamos também uma auto-avaliação do nosso trabalho, das dificuldades, dos aprendizados... Enfim, para que não houvesse dúvidas estava lá em todos os bimestres: "tenho dificuldade em português, ainda confundo o b pelo d e o t pelo v", e outra confissão: "aprendi matemática, só não consigo acertar o resultado das contas". E-x-a-t-a-m-e-n-t-e isso. No meu boletim da 2a série, para que todos possam ler. E como eu me descreveria hoje? "Tenho dificuldade em porvuguês, ainda confunbo o b pelo d e o t pelo v, mas aprenbi mavemática, só não consigo acertar o resulabo das convas".

Sempre achei que tivesse dislexia, mas na verdade eu tenho maturidade intelectual de uma criança de oito anos!

Bom seria se a minha viagem ao auto-conhecimento tivesse parado por aí... Nessas férias eu e minha mãe recuperamos o "projeto caminhada" e voltamos a andar pelo bairro. Descobrimos uma praça nova nas redondezas e nos jogamos nos aparelhos de ginástica. Eram uns aparelinhos divertidos, que fazem parte de uma "academia para a 3a idade". Ficamos por lá alguns minutos apenas e qual foi o resultado? Meu corpo inteiro dói. INTEIRO. Ou seja, fui reprovada de novo...

Sempre achei que eu tivesse uma descordenação charmosa, mas na verdade meu corpo não consegue acompanhar nem exercícios para a 3a idade!

Em resumo, sou uma mulher de trinta anos que pensa como se tivesse oito em um corpo de uma senhora de oitenta. O que sobrou para mim?

terça-feira, 7 de julho de 2009

Banida do sebo

Estava com a minha mãe. Olha, abriu o sebo de novo, será que tem o livro que eu to procurando?

- Não, Ana Luiza, a gente sempre vai lá e o dono é meio esquisito.
- Deixa mãe, vai ver mudou de dono.

Insisto.

- Oi, eu estou procurando um livro. Sobre divulgação científica, você tem alguma coisa de jornalismo?
- Jornalismo ou divulgação científica?
- É a mesma coisa - preferi não entrar no mérito.
- E existe publicação nessa área?
- Algumas.

Entra um garoto. "Não, isso não está a venda". O garoto, meio sem graça, pergunta: tem alguma coisa sobre massagem? "Um monte". Qual o título?" Não sei. "Então volte quando souber!" E começou a resmungar com o menino. Virou-se para mim:

- Qual o título?

Tremi. E se eu errasse? Mas essa eu sabia! "Divulgação científica". Ele liga o computador.

- Autor?
- Isaac Epstein. - E se ele me pedisse para soletrar?! me adiantei - é da editora Pontes. Assim eu ganharia um tempo.

- Esse livro está esgotado há muito tempo.

Era a minha deixa. Tá bom, obrigada.

- Não, agora que eu já liguei o computador, deixa eu terminar.
- Er, mas, você não tem o livro AQUI?
- Estou procurando. - e não tirava os olhos da tela. - Achei. R$39, demora dez dias.
- Não, obrigada, mas eu esperava que você tivesse o livro - afinal, aquilo era um sebo, não? Para encomendar da livraria eu podia fazer de casa...
- Mas você é um atraso de vida! E trate de não aparecer mais por aqui!

Por não ouvir a minha mãe, fui banida do sebo...