segunda-feira, 19 de julho de 2010

Coisas difíceis de entender

Estavamos de carro em Florianópolis. Difícil entender algumas coisas da cidade e sempre nos perdiamos no trânsito.

- E agora?

- Para a direita, pai.
- Onde?
- Direita, para lá.

E eis, que ele vira, sem a menor cerimônia, para a esquerda e nos perdemos mais uma vez. Assim eu entendi uma placa, que até então me intrigava, na entrada de um túnel na avenida Beira Mar.



São para motoristas assim, como o meu pai.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Feito giz

Estava em um bar com um amigo jornalista que tinha sido fotógrafo do Notícias Populares. Na mesa, outros amigos dele, cada um com a sua profissão. Chegou a minha vez:

- Professora.

Para o meu espanto, a mesa parou. Silêncio. Eu sempre achei que ser professora era dessas profissões consideradas sem graça, de quem tinha “caído ali”. Não para mim, que escolho ser professora todos os dias.

- Mas você não tem medo? – perguntou um deles, surpreso pela minha resposta.

Eu juro que achei aquela cena a mais estranha possível que poderia acontecer. Como assim? Medo? Sério? Por um instante achei que ele falava com o meu amigo, o tal fotógrafo do Notícias Populares. Aí sim, aquela pergunta faria sentido. Até esperei que ele respondesse. Mas não, o espanto era dirigido a mim. E o rapaz completou:

- Medo, dos alunos. 

Nunca, nunca, nunca tinha achado a minha profissão perigosa. Poderia escolher vários adjetivos. Mas perigosa, realmente não estava na minha lista.

Até aquele dia. Hoje, recebi essa notícia por email, sobre a violência nas escolas do Rio. Depois, jantando em um restaurante, acompanhei o Fantástico (ok, ok…) com uma reportagem sobre a falta de professores nas escolas brasileiras. Claro, as duas histórias certamente estão relacionadas, o fato dos professores não serem reconhecidos reflete em como a sociedade os trata. 

Terminei o domingo um pouco mais triste. É duro saber que nem todos podem ter o mesmo prazer que e tenho ao entrar em uma sala de aula. Em ano de eleição, certamente é um aspecto que devemos levar em consideração.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Geniais

- Seu telefone está funcionando.
- Pois é, resolvi o problema com a telefônica e ainda instalei a internet sem fio. Sem ajuda de ninguém.
- Que ótimo. Vamos tomar uma cerveja?
- Puxa, meu carro está sem espelho.
- Ah, a gente passa no Mercadocar e troca na hora.
- Perfeito. Estou passando aí.

Sim, esse diálogo é verídico e aconteceu entre duas amigas. Solteiras, que moram sozinhas e que acreditam que questão de gênero é problema literário. E ponto final.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

A colher e a xícara

Ok, já que meu nome anda sendo citado por aí… Vou contar a história como realmente aconteceu.
Quem me conhece hoje em dia, tem dificuldades de imaginar, mas eu já tive experiências bem sucedidas na cozinha. Sim, e meus preferidos eram os doces. Claro, algumas vezes fazia aquelas receitas “quebra-galho” que impressionam e não dão o menor trabalho. Sabe aquela torta de limão de bolacha maisena? Um clássico… Mas um dia me cansei e achei que estivesse na hora de fazer uma torta, digamos assim, de verdade.
Não tive dúvidas e liguei para quem eu pensei que pudesse me ajudar:

- Luci? Tudo bem? To pensando em fazer uma torta de limão, mas queria fazer com massa de verdade? Tem alguma receita?
- Claro! Anota aí.
- Espere um pouco que eu vou pegar o papel.

  Prestem atenção na última linha: “Espere um pouco que eu vou pegar o papel.” Sim, porque apesar das minhas receitas darem certo, eu ainda estou na fase faço-tudo-como-está-escrito. E lá fomos nós.

- Uma xícara de açúcar.
- Uma xícara de açúcar.
- Duas xícaras de farinha de trigo.
- Duas xícaras de farinha de trigo.
- Uma gema de ovo.
- Uma gema de ovo.
- Duas colheres de sopa de margarina.
- Duas colheres de sopa de margarina
- Daí você mistura tudo e põe no forno para assar, por uns 15 minutos.
- Certo.

Fiz tudo como tinham me ensinado, açúcar, farinha, ovo e margarina. E depois dos 15 minutos, eis a minha surpresa:  o que era para ser uma massa se transformou em um bolo intragável. Eu, inconformada, liguei imediatamente:
- LUCIANA, minha torta deu errado!
- Mas você fez direitinho, como estava na receita? Essa massa não tem erro!
- Fiz, olha lá: uma xícara de açúcar.
- Certo.
- Uma xícara de farinha.
- Colher de sopa.
- Como?
- Colher de sopa.
- Não, não pode ser. Você tinha dito xícara de farinha.
- Ops…

Pois é, e assim eu voltei para a massa de bolacha de maisena, que não tem erro mesmo. Por que discutir com os clássicos?.
Mas pelo menos ganhei uma boa história para contar para os meus alunos quando vou ensinar a importância das unidades de medida.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Das tristes heranças

Quando era criança, sempre que chegava a casa da minha avó, ouvia, baixinho o rádio dizer: oi gente. A Vera, que trabalhava lá, passava o dia ouvindo Eli Correa. Devo confessar que eu até gostava daquela voz. Achava um pouco divertido ouvir o programa comendo bolo de cenoura na mesa da cozinha.

Quando a minha avó morreu, o Eli Correa continuou nas minhas tardes: assim que eu chegava da escola, passava o dia com o meu avô. Mas o meu avô também morreu. E a Vera veio trabalhar em casa. E então, a voz que antes era tão agradável começou a me incomodar: tinha alguma coisa errado e ela não deveria estar ali. Mas os dias foram passando, a tristeza e a saudade foram atropeladas pelo cotidiano e eu acostumei. Acordava todos os dias e não me incomodava mais. Não me divertia quando com os bolos de cenoura, mas a rádio Capital deixou de ser minha inimiga.

Hoje, quando eu acordei, aquela voz estava lá, inconfundível. Mas, me desculpe Eli Correa, desta vez eu não vou acostumar.

domingo, 18 de outubro de 2009

Ontem eu ia ao cinema...

Mas antes passei com a minha mãe em uma loja de aquários. Íamos comprar água salgada, mas acabamos com alguns pagurinhos...


E ao chegar em casa, ficamos duas horas olhando os bichinhos andarem pelo aquário, e lá se foi o filme...


Sim, um ano depois... Meu aquário está de volta. Ganhei de presente da minha irmã.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Alo, além.

O mês de julho foi bastante conturbado. E sim, eram as minhas férias. Todas as preocupações paralelas culminaram em um mês repleto de pesadelos.

Mas teve um especial. Sonhei que estava sendo assaltada e uma moça parava para me ajudar. Mas o pânico era tanto que minhas pernas paralizaram e eu não conseguia sair do lugar. Foi h-o-r-r-í-v-e-l. Acordei na hora. Completamente apavorada. E foi então que o pesadelo de fato começou.

Fiquei com medo de dormir de novo e o sonho continuar. Isso sempre acontece comigo: me "salvo" de um pesadelo e quando pego no sono de novo o horror retorna. Pensei em assitir TV. Mas a violência é um tema tão recorrente na programação, que aquela não parecia uma boa ideia. Mas eu estava certa de que a única coisa que não poderia era ficar acordada: estava me enlouquecendo com a situação. E ainda teria um longo dia pela frente, que não combinaria com uma noite de insônia.

E nesse instante, meu celular tocou. Era uma mensagem. Assustei um pouco, mais um pouco. Quem poderia ser ligando aquela hora da madrugada?

"Tá sobrando vaga no manicômio feminino".

Foi a primeira vez que eu recebi uma mensagem do meu inconsciente.