5a feira a tarde.- Durval, acho que a minha anêmona morreu, ela está tão esquisitinha...
- Cutuca ela e veja se ela reage, porque se ela tiver morrido mesmo é melhor tirar do aquário.
Cheguei em casa direto no aquário. E se ela ficasse paradona? Como eu teria certeza de que ela estava realmente morta? Encostei nela bem de mansinho, com o coração na mão. E ela se encolheu toda. Ufa!
3a feira de manhã.- Cutuquei. E ela se mexeu! Mas ela continua esquisitinha...
- É, Analu, esses bichos não morrem assim, de uma hora para outra, vão morrendo devagarzinho. Sua anêmona está morrendo.
- Morrendo? - eu, com a cara mais triste do mundo - Mesmo? Ai, mas eu não posso fazer nada?
Foi então que ele começou a contar uma história da filhinha dele que tinha plantado um pé de feijão na escola e um dia esqueceu de regar.
- E aí, quando ela percebeu que o feijão tinha morrido, foi aquela choradeira.
E quase, quase, quase eu comecei a me defender dizendo que JAMAIS iria esquecer de cuidar dos meus bichos, que aquilo não iria acontecer comigo. Mas, por um momento eu percebi que estava sendo comparada com uma garotinha de seis anos e, por sorte, meus instantes de bom senso me pouparam de uma humilhação ainda maior.
Cheguei em casa e fui olhar a minha anêmona. E ela estava lá, esquisitinha. Mas hoje eu resolvi não cutucá-la.